quinta-feira, 25 de setembro de 2008

(...)midiação

1. Produzir uma remidiação. Justificar.

Como uma das idéias da remidiação é a apropriação de características de mídias diversas pelo computador, a minha idéia seria um computador de bolso “filhote”. Esse aparelho seria uma espécie de microcomputador que emularia algumas funções de um computador pessoal, mas teria uma pré-configuração que, ao ser conectado a qualquer computador, transformaria essa máquina conforme sua programação. Desconectado, esse dispositivo permitiria a reprodução de arquivos audiovisuais, possuiria um leitor de arquivos PDF e alguns outros programas básicos, utilizáveis através de sua interface. Contudo, no momento que fosse conectado a outro computador, ele transformaria toda a interface desta máquina num espaço pré-configurado pelo usuário, rodando programas instalados na sua memória, modificando a área de trabalho. Ou seja, praticamente adaptando aquele computador estranho ao usuário através de uma configuração previamente determinada.

Seria possível uma organização de interface semelhante ao site Netvibes; o usuário poderia acessar diretamente seus feeds RSS, além de suas páginas favoritas. Após o acesso, o indivíduo poderia efetuar o download de todo conteúdo rapidamente e navegar através dele pela interface do dispositivo. Com isso o indivíduo poderia baixar uma quantidade enorme de informações de blogs, jornais e revistas online simplesmente conectando esse dispositivo por minutos, ou até segundos, a um computador com acesso a Internet. Em adição, esse dispositivo poderia ser acoplado a uma antena que capte sinal wireless, acessando a rede e efetuando download de endereços já programados.

Esse dispositivo remidiaria, de alguma forma, a velocidade de acesso à informação da Web, além de diversas características do computador. Com ele a pessoa poderia receber atualizações de diversas mídias que costuma freqüentar simplesmente captando um sinal wireless. Uma pessoa poderia estar andando na rua e decidir parar em algum posto de gasolina que oferecesse suporte a esse tipo de conexão para se atualizar. Dentro de cinco minutos, por exemplo, essa pessoa teria acesso à manchetes dos seus jornais favoritos, matérias de revistas, últimas atualizações da sua lista de blogs (com comentários), previsão do tempo de cidades predeterminadas, atualização de eventos, atualizações do Twitter e até mesmo do Plurk (9,579 new responses), além de muitas outras informações. Seria uma espécie de navegador Web 2.0 portátil, embora não permitisse que o usuário interagisse diretamente com essa estrutura num primeiro momento. Logo, ele seria um novo tipo de mídia a ser explorada, embora atualizasse elementos de mídias já existentes. Passariam a ser produzidos textos pra serem acessados por esse aparelho, que pudessem ser lidos e compreendidos rapidamente (valorizando o Twitter, por exemplo), vídeos feitos para uma menor resolução (ressaltando o YouTube) e músicas que passariam a ser produzidas para fones de ouvido, que não seriam muito diferentes das que são produzidas hoje, pensando num consumidor que ouvirá os álbuns musicais através das caixas de som do computador.

2. Encontrar um exemplo de hipermidiação e um de imediação. Explicar.

Imediação

"OGM a charc!1"

A fronteira da mediação entre o indivíduo e o meio fica borrada. Logo, ele percebe o que vê tal como se fosse a realidade. No caso da imagem, o tubarão aparenta sair da tela, invadindo o cinema. Portanto, aparentemente ele transpõe o mundo virtual e invade o real.

Hipermediação

http://www.youtube.com/experiencewii

Embora o próprio YouTube já seja um exemplo de hipermídia, o canal "experiencewii" leva essa definição para um outro nível. Após visualizar o conteúdo da página, o usuário não consegue discernir claramente o que é o vídeo, o que é a estrutura da página, o que é "aquilo" que ele está vendo. A reprodução e a interpretação da mensagem aqui são extremamente valorizadas pelas características atribuídas ao canal.

3. Discutir vantagens e desvantagens da remidiação.

A remidiação é vantajosa e importante pelo seu processo criativo. A apropriação das características de uma mídia por outra exige mais do que a mera adaptação da informação para o meio; ela exige inovação sobre o processo de reprodução da informação. A transição do rádio para a televisão, por exemplo, conferiu novos significados aos telejornais. Passou-se de um mero programa informativo, dando um aspecto teatral ao telejornalismo. O cenário e a imagem dos apresentadores são elementos tão importantes quanto a notícia a ser transmitida, pois eles possuem significação aos olhos do espectador. Uma boa imagem transmite credibilidade e pode ser convidativa a quem está assistindo o espetáculo. A informação, embora ainda seja o principal elemento, compartilha seu espaço com essa cenografia, o que era quase inimaginável no jornalismo feito no rádio.

A transposição (e a reposição) da mídia apaga as fronteiras entre dois canais para valorizar seu aspecto comum. A teatralidade que engloba o jornalismo televisivo o difere muito daquele feito pelo rádio, embora ambos os meios valorizem a informação em aspectos diferentes. O rádio trabalha com a instantaneidade, com a notícia reproduzida na hora em que acontece, enquanto a produção exigida pela televisão não permita essa reprodução. Contudo, a televisão permite que o espectador visualize o ocorrido “com os seus próprios olhos”. Quem assiste uma determinada matéria pode viajar por dentro daquele espaço tal como se ele estivesse a sua frente, dentro da sua perspectiva de realidade.

Com base nisso, cada midia exige uma forma diferente de trabalhar com o materal que veicula. A reprodução de um canal televisivo pela Internet passa a ser muito mais interessante no momento em que aquele canal foca-se diretamente no espectador que assiste pelo computador, preocupando-se com o ambiente à sua volta, com a forma com que ele percebe a informação, com toda a significação que o envolve naquele determinado momento em que ele pára para assistir aquele canal pelo seu computador, que é muito diferente da que o cerca no momento em que opta pela televisão. Logo, a evolução é uma exigência. É preciso ir além, a mudança é constante e, dada a exigência de quem a presencia e usufrui dela, precisa ser criativa, mediante ameaça de ser esquecida.

Contudo, há o lado negativo da remidiação. Tomando novamente como exemplo o caso da televisão, que remidia características do rádio, uma mídia pode se sobrepôr à outra, engolindo-a. Qual a utilidade de emissoras radiofônicas quando se pode acessar o conteúdo que se desejar através de canais de rádio através da Internet, por exemplo? O mesmo vale para a televisão: qual a importância de emissoras quando se pode muito bem fazer o download, mesmo que ilegalmente, do programa que se quer assistir? Embora esses questionamentos só sejam pertinentes quando analisados por determinados nichos, a democratização da informação e a expansão tecnológica tendem a englobar toda a população com o tempo. Em Pelotas, estima-se que 97% das casas possuam um aparelho televisor. Por que não, dentro de alguns anos, esse mesmo número não possa dispor de um computador pessoal com acesso a internet? A remidiação leva, de certa forma, à hipermidiação, que pode acabar por unir todos os tipos de mídia e um suporte único.

Essa realidade, embora pudesse promover o acesso à informação para toda a população, tende a massificar a linguagem midiática. Mesmo que as pessoas fossem capazes de interagir dentro desse meio, não significa que elas não possam ser dominadas por ele, da mesma forma como muitas pessoas são dominadas hoje pela televisão. Sendo um meio interativo ou não, ele sempre permitirá a utilização de uma linguagem persuasiva que, vista de maneira acrítica, cria uma hegemonia sobre seus usuários, que acabam por se tornarem depentes e cegos, uma vez que um canal único de informação atingiria facilmente uma imensa parcela da população caso se valesse das estratégias certas.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Cibercultura e mobilização

1. Você faz parte do Movimento Estudantil e é presidente de DA dentro da Universidade. Com base no que você estudou, elabore duas estratégias de comunicação que possuam efeitos políticos através do uso de um weblog. Descreva suas estratégias e explique qual seu efeito político.
Considerando que o DA é uma representação da voz dos estudantes no cenário administrativo acadêmico, sua função se compara praticamente à da câmara dos deputados em um plano nacional. Essa análise pode ser extendida tanto à função do diretório quanto à forma como ele é compreendido; os estudantes conhecem a estrutura organizada, sabem quem são os representantes do DA, mas apenas a minoria sabe das propostas e ações iniciadas a partir desse movimento. Em virtude dessa falta de conhecimento, o estudante que não é próximo de algum dos integrantes do diretório sente sua participação inibida, distanciando-o do movimento estudantil e, conseqüentemente, negando sua presença direta na tomada de decisões que afetarão as diretrizes adotadas pelo curso e, ao mesmo tempo, as que lhe são impostas pelo setor superior da universidade.

Com base nesse cenário, a primeira estratégia visaria convidar o universitário a se engajar nesse processo político. Para que se concretize tal objetivo é necessário, em primeiro lugar, atrair a atenção dos estudantes. Paredes do campus, então, seriam revestidas por panos pichados contendo palavras de protesto. Em adição, seriam espalhados diversos cartazes com o mesmo teor crítico, contendo frases de efeito moral e charges. Contudo, o conteúdo desse material não viria ao encontro da realidade, ou seja, seriam apenas boatos que, de certa forma, encontrariam suporte na ironia. Ainda dentro desse material, seria indicado o endereço do weblog que, por sua vez, se relacionaria ao tema central da campanha. Para ilustrar essa ação podem ser considerados exemplos como www.queremfecharoda.com.br ou também www.queremtecalar.com.br. Dentro desse blog os estudantes encontrariam, além de uma explicação para a campanha, ações concretizadas pelo diretório e iniciativas ainda em processo. Universitários seriam convidados a integrar o movimento estudantil para que todos aqueles protestos não se tornem reais num momento próximo. A estrutura de comentários do blog ainda permitiria aos usuários comentarem as propostas e sugerirem novas ações.

A segunda estratégia poderia ser tanto uma alternativa à primeira quanto um complemento dela. Caso fosse apresentada como recurso único, ela trabalharia em um cenário de preconceito e insatisfação decorrente da própria imagem da universidade. A UCPel, por associações externas, é remetida à imagem de uma instituição de fraco ensino e, muitas vezes, vista com uma imagem negativa pelas caras mensalidades, propiciando a disseminação de boatos de que a faculdade não se preocuparia com a estrutura oferecida aos seus alunos, contentando-se com fracos laboratórios e um ambiente de ensino meramente regular. Para isso, ofereceria-se não palestras, mas mesas abertas de discussão onde professores debateriam esse tema entre si. Seriam convidados professores, sendo eles de um único curso ou não, que tivessem diferentes relações com a faculdade, além do presidente ou de outro membro do diretório acadêmico; comporiam a mesa desde um professor que tem por função a coordenação de um núcleo de ensino, de um determinado curso até aquele que apenas leciona poucas vezes por semana. Como estrutura organizadora desse encontro se apresentaria o blog, representando a face estudantil. Dentro do determinado espaço virtual seriam veiculadas notícias pertinentes à relação faculdade-estudante; seriam relatadas ações administrativas que agissem diretamente sobre o movimento estudantil, em adição seriam retratados os ambientes da faculdade, descritos pelos próprios usuários das estruturas — professores-coordenadores e alunos — que analisariam esses ambientes e sugeririam melhorias possíveis. O blog serviria como um termômetro dessas mesas abertas uma vez que as discussões girariam em torno do conteúdo da página. Logo, seriam expostos os lados positivo e negativo da universidade, discutida a própria estrutura da UCPel e também avaliado medidas possíveis de serem trabalhadas tanto pelos núcleos de organização quanto pelos diretórios acadêmicos.

Essa estratégia objetivaria à desmistificação de boatos que são criados e trazidos para dentro do ambiente universitário pelos próprios estudantes. Os professores trabalhariam com as questões levantadas pelos universitários, servindo verdadeiramente como mediadores entre os alunos e a estrutura da faculdade. Tais medidas esclareceriam decisões adotadas pela administração e ainda por cima facilitariam a ação do diretório acadêmico, que muitas vezes não sabe sobre quais elementos trabalhar e desconhece o seu poder de ação.

2. Analise como as características das redes podem auxiliar ou prejudicar suas estratégias propostas na questão anterior. Explique.
As redes sociais, em ambas estratégias, podem atrapalhar pela forma como se estabelecem. Ambos blogs são ambientes virtuais provisórios criados para ações específicas num espaço de tempo relativamente curto. Pela sua concepção prematura, não é imbuído do sentimento de pertença essencial à configuração de um grupo. Logo, os blogs podem: a) ser ignorados, acarretando na difusão de um boato que pode levar a uma série de mal-entendidos na primeira estratégia, e ao potencial enfraquecimento da segunda, que seria fortemente prejudicada na qualidade e na quantidade das questões debatidas; b) ser vítimas de ações hostis, criticando duramente as ações adotadas pelos blogs por n motivos que, se não vistas a tempo poderiam gerar grande perda de credibilidade do conteúdo.

Ainda dentro de uma analise que engloba ambas estratégias, a visibilidade adquirida pelo blog no ambiente universitário poderia dar partida à atitudes de simulação e dissimulação por parte dos seus colaboradores. Como forma de apropriação do capital social gerado dentro dos laços constituídos no ciberespaço, o avatar (no que diz respeito à representação da pessoa dentro de determinado espaço) permite a criação de inúmeros personagens sujeitos à interpretação dos demais usuários, sejam eles passivos ou ativos. Em virtude dessa característica, alguém poderia se utilizar do espaço levantando boatos, defendo posições que vão de encontro ao seu pensamento somente objetivando criar uma determinada imagem na mente de quem acessar o conteúdo. Logo, os blogs tornam-se espaços de forte propaganda política, não apenas por insentivarem discussões acerca dessa área, porém ganhando visibilidade e força na própria despolitização existente, pois surge como espaço comunitário único que traz a política até o ambiente universitário. Em adição, a transgressão desse espaço ainda é objetivo intrínseco do próprio blog. Essa característica torna esses espaços muito propícios aos marqueteiros políticos, num sentido pejorativo, que apenas se apropriam do capital social gerado a fim de alavancarem iniciativas próprias. O blog seria, portanto, utilizado, em primeiro plano, para a formação da imagem, e não para a proposição de novos rumos e iniciativas extensíveis ao ambiente acadêmico.

Em oposição a essa perspectiva, o blog complementa a proposta com seu poder amplificador gerado da coesão dos membros, constituindo um grupo que, por conseqüência, ganha um poder de ação muito maior. O capital social decorrente dos laços de união grupal dá uma nova visibilidade e uma maior gama de significados ao grupo. Logo, a própria expansão do grupo propicia um ambiente onde esse processo encontra sua continuidade e tende ao estado de inércia. Em outras palavras, conforme o grupo ganha mais visibilidade, mais pessoas interessam-se em participar e grandes são as chances da relação indivíduo-grupo se intensificarem, o que daria mais visibilidade ao grupo e assim por diante. Em adição,como extensão do espaço universitário, o blog permite um espaço para discussões políticas que muitas vezes não existe dentro do ambiente acadêmico, não num nível tão elevado pelo menos. O caráter documental também tem muito a acrescentar às vantagens do blog; além de simplesmente fixar a informação e a discussão associando-as a uma determinada linha temporal, a permanência dessa negociação no ciberespaço confere a ela uma historicidade. Logo, pode-se traçar o rumo tomado a partir de discussões ambientadas no blog. É possível que se trace um paralelo das ações propostas dentro desse espaço com as ações adotadas pelo setor administrativo acadêmico, diagnosticando o nível de eficiência política do grupo virtual.

3. Que relações existem entre o corpo material das pessoas e o ciberespaço? Explique.
O ciberespaço simultaneamente caracteriza a superação do corpo e, na medida que possibilita e exige elementos representativos como avatares, permite a extensão do corpo. Pode-se dizer que a relação entre o corpo e o ciberespaço é discursiva e pessoal, pois ele é representado nesse espaço com grandes referências à carga subjetiva do internauta. Mesmo que essa pessoa opte por uma descrição o mais fiel possível, a narrativa ainda englobará (e necessitará) de elementos complementares que facilitem a compreensão da estrutura visual objetivda e ainda confira determinados valores a essa mesma estrutura. A estrutura corporal, no momento que penetra no ciberespaço pela descrição pessoal, é moldável e pode ser atualizada constantemente. O usuário da rede pode modificar aspectos do seu corpo virtual com o simples clicar do mouse. Contudo, essa modificação passa por todo um processo simbólico, mudando a identidade de quem faz a mudança e a imagem dessa pessoa para quem percebe a característica alterada. Logo, a alteração do corpo no ciberespaço é muito mais relacionada à percepção dos interagentes dessa estrutura do que à aprimoração utilitarista dessa ferramenta.

Vale lembrar, portanto, que o corpo no ciberespaço é representado pelo avatar, que projeta a pessoa dentro do ambiente virtual, o qual a pessoa não poderia acessar se não pela forma do avatar. Logo, as características humanas próprias do indivíduo são superadas e tomam a forma de um padrão de dados que constituem informações. São utilizados diversos recursos para suplantar a presença corpórea, visando dar visibilidade e compreensão a essa estrutura, mesmo que de forma falsa, uma vez que uma pessoa pode construir e suportar uma imagem que não lhe é correspondente, podendo passar por outra pessoa ou adotar características que desejam.


quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Ciborgues

1) Encontrar, na web, um exemplo de cada tipo de ciborgue e um exemplo de pós-humano. Explicá-los.

a. Cibórgue Interpretativo


"Esses professores marxistas safados!"

Corresponde a uma pessoa que deixa que a mídia pense por ele, inibindo sua capacidade crítica.

b. Ciborgue Protético


O médico precisa dos seus óculos para sobreviver.

O ciborgue protético caracteriza uma pessoa que necessita das próteses para viver. Sendo dependente da relação com a máquina.

c. Ciborgue Metafórico



O ciborgue metafórico é aquele que necessita da tecnologia para poder executar plenamente seu trabalho ou uma atividade.

d. Pós-humano


O pós-humano, nesse caso, se caracteriza pela libertação do corpo e pela constituição da imagem num padrão de informação. "Ayrton Senna não morreu, tá fazendo um pit stop", diriam os brasileiros. A imagem desse homem superou seu corpo e se transformou num símbolo de garra, luta e perserverança para toda uma nação, continuando a ser o Ayrton Senna para todo um povo, mesmo tendo morrido durante uma corrida. Dono de frases como "Se depender de mim, vocês, jornalistas, irão esgotar os adjetivos do dicionário" e "O importante é ganhar. Tudo e sempre. Essa história que o importante é competir não passa de demagogia", Senna continua inspirando e orgulhando brasileiros. A sua superação do corpo e da morte se dá exatamente nos ideais que inspira e sempre carregou. Logo, pode-se dizer que, em grande parte, muito de sua subjetividade continua viva entre todo um povo.

2) Construir um avatar de si e um de um colega. Publicar.





3) Analisar em que medida o avatar é uma expressão de si mesmo e de suas percepções do colega.

O avatar não carrega somente a percepção que tenho da minha própria imagem e da do meu colega. Na medida em que o avatar é um recurso que faz essa representação em um ambiente onde os corpos não podem acessar diretamente, ele deixa de ser um elemento meramente descritivo e a passa a adquirir também uma carga subjetiva representada pela minha percepção desses valores e características, minhas e do meu colega. Logo, o meu próprio avatar não corresponde necessariamente ao que eu sou, mas ao que acho que sou, a forma como eu interpreto minhas próprias atitudes.

A descrição corporal é objetiva nos avatares que construi, porém a escolha de elementos como as roupas e acessórios, tais como a corrente, o celular e a mochila, fazem parte de um conjunto de percepções que construi. A corrente ou a camisa do Super-Homem não são partes do meu corpo, mas, em certo ponto, não deixam de ser representações do meu ser. No momento em que esses elementos exteriorizam valores, eles são parte integrante da minha subjetividade. Em outras palavras, a corrente e a camisa podem ter um significado para mim e outro completamente diferente para outras pessoas, que poderiam achar melhor o uso de um crucifixo no lugar da corrente, por exemplo. A mesma percepção vale para o meu colega, só que com uma inversão de papéis. No momento em que o descrevi virtualmente carregando um celular e uma mochila, quis representar valores que associo a ele, que acredito que ele tenha, mesmo que, de alguma forma, ele encare essa representação de forma pejorativa.

Logo, o avatar é mais do que uma representação descritiva do corpo em um espaço inalcançável por esse. O avatar corresponde a uma identidade, pois foi impregnado de significações no seu processo construtivo e, também, ao ser visualizado. Quando começo a criação de um avatar, levanto pontos importantes, que são as características mais marcantes conforme as percebo. Esse serão os elementos chave que caracterizarão o avatar, representando os primeiros elementos que noto em uma determinada pessoa. Ao visualizar o desenho confiro se alcancei o objetivo desejado e, para isso, preciso repensar cada um dos elementos constituintes da imagem. Portanto, se existe um elemento incoerente ou caso tenha ficado em dúvida entre dois duranto o processo de construção, vou procurar examinar cada um desses separadamente e mais atentamente, na tentiva de captar uma gama maior de valores agregados, tentando encaixá-los na personalidade da pessoa descrita.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

1) Discutir nos grupos do trabalho da aula anterior se:
a. Houve a constituição de redes sociais?

Sim, houve, principalmente pela forma como o grupo fora constituído. Membros de um determinado grupo tendem a pensar de forma semelhante, guiados por valores comuns dentro desse grupo. Quando juntamos pessoas que não estavam acostumadas a interagir entre si, obtivemos, através de um brainstorm, perspectivas variadas para o mesmo problema. Esse processo de interação constitui uma rede social, agrupando indivíduos que vem de estruturas sociais distintas e fazendo com que eles interajam entre si.

b. Como o capital social atuou nas interações do grupo?

O capital social dentro do grupo foi predominantemente cognitivo, pois o grupo se estruturou a partir de um processo de troca de informações e conhecimento para que se alcançasse um objetivo em comum. O capital social permaneceu no primeiro nível, pois o único motivo da junção fora uma necessidade em comum: solucionar um problema. Talvez essa forma de estruturação configure um valor social normativo, validando o grupo apenas para aquela situação específica, embora não existissem, de fato, regras dentro da organização.

2) Relacione o processo realizado pelo grupo com aspectos estudados na disciplina

A atividade realizada abrange, em primeiro lugar, a própria estruturação de uma rede social no que se refere à formação do grupo e ao estabelecimento de um capital social cognitivo, representando a troca de informação dentro desse grupo. O processo em si apresenta-se como uma estrutura hipertextual. Trabalhamos com elementos principais que funcionariam como nós centrais, de onde partiriam todas as ramificações para a formação de um determinado grupo, que teriam, também, ligações entre si. Esse nós centrais seriam também conectores aos demais grupos, organizado-os de forma linear. Eles foram: Atitude -> Ação -> Comunidade Ativa -> Avanço -> Solução -> Certeza. Cada um deles era peça-chave dentro de um seleto grupo, organizando-os e os conectando aos demais elementos-chave. Os integrantes de cada grupo também funcionariam como conectores, porém eles conectariam aos demais participantes o seu conhecimento.

3) Discutir:
a. O que é um MEME?

Meme é um neologismo empregado por Richard Dawkins para explicar a propagação de idéias e fenômenos culturais, tal como melodias, frases e crenças. Ele pode ser caracterizado por um pensamento ou um comportamento através do aprendizado ou da imitação. O meme passa de pessoa para pessoa, propagando-se pela sociedade e adentrando sua cultura semelhantemente a um vírus. Em termos de evolução, a memética assume um padrão similar à da teoria de Lamarck, que dizia que os seres humanos tendem a preservar ou perder suas características básicas numa forma relacionada ao seu uso; caracteristicas muito usadas seriam preservadas, enquanto as que caíssem em desusuo tenderiam a desaparecer com o tempo.

A forma viral de difusão memética refere-se ao fato de que um meme não se propaga com base no seu potencial de benefício ao seu “hospedeiro”, mas sim na sua própria facilidade de propagação, ou seja, um meme tende a sobreviver não por apresentar características positivas, mas sim um alto padrão de replicação. Logo, um meme pode ser largamente difundido em meio à esfera cultural de uma sociedade mesmo que seja nocivo às pessoas.

Assunto discutido por Dawkins, a religião é considerada como um meme por diversos estudiosos da área. Sabe-se que muito do simbolismo religioso é alusão à astrologia e durante o passar dos tempos uma religião sempre fora incorporando aspectos das demais, mantendo a significação centrada no seu sentido original na astrologia. Pode-se, portanto, estabelecer um paralelo entre diversas religiões, encontrando muitos pontos em comum entre elas. Em adição, o próprio sentimento de fé é considerado como um meme, sendo um comportamento enraízado culturalmente que vem sendo transmitido ao longo dos séculos, configurando uma espécie de hegemonia, pois muitas pessoas não conseguem ver uma sociedade distante da fé, que muitas vezes é interpretado como um comportamento natural e instintivo humano.

b. Como o MEME pode ser relacionado com as redes sociais na Internet?

Um meme pode ser relacionado às redes sociais devido ao seu comportamento viral de disseminação. Esse tipo de relação permite a difusão de várias campanhas publicitárias de marketing viral, utilizando como conceito chave a interatividade, divulgando-se através da comunicação direta entre os usuários da rede, caracterizando-se como um comportamento aprendido e replicado. A ação publicitária viral se baseia em elementos que são observados, assimilados e retransmitidos com valor agregado devido à relação entre os usuários. Um indíviduo daria uma atenção muito maior para um vídeo que lhe fosse transmitido por um amigo ou conhecido do que para o mesmo vídeo, caso lhe fosse transmitido através de uma corrente ou outra forma de spam.

Além disso, o meme pode ser um comportamento desencadeado dentro de uma rede social através da interação entre os usuários, que adotam essas correntes e as espalham. Exemplos comuns de memes surgidos dessa forma são os famosos “Chuck Norris facts”, o vídeo “Rick Roll”, transformado numa espécie de “Pegadinha do Malandro dos ricos”, downloads via BitTorrent, que são muito conhecidos nos dias de hoje, e até mesmo os experimentos de Coca-Cola Diet com Mentos. Esses memes são amplamente difundidos através das redes sociais devido ao seu potencial na área de comunicação e têm sido muito explorados pelas campanhas publicitárias, como é o caso da empresa telefônica Aeiou, que agrupou em um comercial diversos desses "Internet Memes", como Ruth "Sanduíche-íche" Lemos, Lasier Martins e o cast da dança do quadrado, entre outros.



Exemplo de meme difundido pela Internet

c. Proponha um MEME.

Aproveitando o período eleitoral, a minha proposta é uma ação que trabalhasse a consciência crítica e política dos usuários, trazendo informação ao mesmo tempo. O evento não seria um meme original, mas sim uma espécie de “recombinação memética”, reutilizando diversos memes para satirizar ações de políticos e fatos vinculados ao governo. Um exemplo desses memes recombinados e recriados poderiam ser os famosos “motivational posters” que têm se espalhado largamente pela Internet ou até mesmo os lolcatz, trazendo agora a figura de políticos.


















Motivational posters - exemplo de meme a ser recombinado.





















Meme recombinado 1: "All your base are belong to us"























Meme recombinado 2: Motivational posters