quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Economia digital

1) Visitar os sites abaixo, fazendo uma busca por tele-entregas de comida em Pelotas.

a. www.ask.com
b. www.google.com.br
c. www.yahoo.com.br
d. www.altavista.com
e. www.hotbot.com

a) Quantos resultados cada um encontrou?

a. 320, b. 1.280, c. 104, d. 292, e. Yahoo+ lyGo + MSN

b) Qual mostrou os resultados mais relevantes? Por quê?
Na página inicial, o Ask apresentou resultados mais relevantes. Contudo, o Google mostrou mais resultados relevantes no decorrer de suas páginas, indicando inclusive links para o TeleListas, onde se pode encontrar diversos links para tele-entregas.

c) Quantos links “patrocinados” apareceram?

O único buscador que indicou links patrocinados foi o ask.com, ainda assim irrelevantas ao conteúdo pesquisado.

d) Como cada buscador utiliza a propaganda?

O único buscador a utilizar a propaganda aqui foi o Ask, e ele apresentou resultados relacionados à venda e entrega, de acordo com as palavras chaves pesquisadas, porém muitos deles eram estrangeiros, sem qualquer relação com Pelotas.

e) Como funciona o mecanismo de cada um dos buscadores?

Aparentemente o Ask e o Google, por mostrarem resultados próximos e mais relevantes, utilizam-se de algum sistema de pagerank, indexando os resultados com maiores links. O HotBot efetua a pesquisa utilizando-se de outros buscadores, como Yahoo, lyGo e MSN. O Yahoo e o Altavista, por sua vez, parecem efetuar buscas separadas para cada termo, pois na maioria dos resultados as palavras chaves apareciam isoladas das demais procuradas, dificilmente relacionando “tele-entrega”, “Pelotas”, “lanches” e “fornecimento”, seja qual fosse a ordem e a forma utilizadas.

2) A partir da atividade acima, discuta como os sistemas de busca e os links podem influenciar a economia digital.

Tomando o Google como exemplo, na medida em que relaciona links para diversos sites através de um sistema de pagerank, a grosso modo listando os sites com mais links, aqueles que mais são citados são os mais populares. Adotando uma perspectiva da Internet como um meio hipertextual mais centralizado, onde alguns nós possuem muitas conexões, podemos utilizar a teoria de que “o rico fica mais rico”, pois quanto mais conexões esse nós possuem, mais eles tendem a agregar. Os nós periféricos passam a buscar referência dentro desses portais hiperconectados e, por conseqüência, extendo o acesso a esse domínio dentro seu círculo de relacionamentos. Sites que são vistos como ponto de referência na Web por esse motivo tendem a possuir um acesso cada vez maior.

Na medida que são citados e referênciados por outras páginas que buscam informações dentro dos domínios desse super-portal, sua colocação num sistema de pagerank cresce, subindo posições e agregando valor à sua identidade. Por serem muito procurados, são vistos como fontes de credibilidade ou formadores de opinião, atraindo investimentos e extendendo seu potencial publicitário. Um exemplo que se aproxima disso é vivido pelo time de futebol italiano Milan. Mesmo sendo reconhecido como um dos maiores clubes desportivos no mundo, vencedor de competições continentais européias e mundiais, a equipe só conseguiu vender todos os espaços publicitários dentro de seu estádio após a compra do jogador Ronaldinho Gaúcho. Quando incorporaram esse jogador à equipe, o clube teve vendas de camisetas astronômicas e atraiu diversos investidores. O time não se tornou mais eficiente, não conquistou nenhum título e nem melhorou sua posição dentro do campeonato italiano, eles somente adquiriram um jogador muito popular e passaram a uma posição mais destacada na mídia. Sites com muitos links funcionam como se tivessem adquirido Ronaldinhos Gaúchos na Internet: eles atraem os investimentos, ganham mais destaque e exposição, passam a uma posição mais importante. Logo, pode-se concluir que links dão poder ao site linkado.

Da mesma forma, quando o Ronaldinho Gaúcho abre um centro esportivo ou doa dinheiro ou material esportivo para alguma comunidade ou entidade, esse centro recebe poder pelo fato de o Ronaldinho tê-lo posto na mídia. O mesmo ocorre quando um porta hiperconectado faz um link para algum outro site. Eles estão “distribuindo o poder” e direcionando o fluxo de navegação. O link para um blog dentro de um site como a Folha de São Paulo ou como o G1 direcionaria muitos acessos para esse blog, aumentando a sua credibilidade e a sua visibilidade, ou seja, ele ganharia poder e maior capacidade de influência.

O mesmo vale para os sites relacionados pelos buscadores na atividade acima. Quando são facilmente encontrados dentro da Internet, viram pontos de referência e atraem mais consumidores no mundo offline por possuirem mais links e, portanto, mais destaque. Logo, aumentam seu movimento e recebem mais capital. Dessa forma, mas não só dessa, o fluxo de acesso na Internet influencia diretamente a economia fora do ciberespaço.

3) Poderíamos dizer que na Internet há novas formas de capital? Quais seriam?

Na Internet o capital deixa de ser tangível e material para atingir novas proporções e novos significados. Considerando as diversas comunidades que permeia a Internet como redes sociais, essas redes se constituem com base nos grupos informais e formais. Dentro dessas organizações, surgem novas formas de troca não mais baseadas no capital. As estruturas grupais se mantêm coesas devido a novas formas de capital que se estabelece na coletividade. Logo, a informação passa a ser uma das principais formas de capital dentro do ciberespaço, como referido por Richard Barbrook em seu artigo Cibercomunismo, “acrescentando a sua própria presença, cada usuário está contribuindo com alguma coisa para o conhecimento coletivo acessível àqueles que já estão on-line. Em troca deste presente, cada indivíduo obtém acesso potencial para todas as informações fornecidas na Internet pelos outros. Dentro de uma economia de mercado, compradores e vendedores tendem a trocar mercadorias de valores equivalentes. Apesar disso, dentro da economia da dádiva hi-tech, cada um recebe muito mais de seus parceiros usuários do que qualquer indivíduo jamais poderia doar (Gosh apud Barbrook, Cibercomunismo, p. 9)[1]”.

A informação passa a ser moeda de troca e fator coesivo, mantendo grupos unidos e dando-lhes significado, uma vez que essas estruturas se formam a partir de um determinado objetivo que orientará o fluxo do tráfego informacional. Um usuário que tenha grande conhecimento no campo de cibercultura poderá ser irrelevante dentro de uma rede que se oriente a partir de um time de futebol, porém será uma peça chave dentro de um fórum de discussão dentro da sua área de conhecimento.

Em adição, as grandes empresas virtuais não se desenvolvem somente com base na informação que disponibilizam. Pelo contrário, essas companhias crescem conforme a associação de links comentada no exercício anterior. Traçando um paralelo entre links e informação, pode-se dizer que esses sites possuem muitas referências exatamente pela suposta qualidade das informações que disponibilizam. Um portal de notícias é muito mais acessado do que o site de uma grande empresa de tecnologias por promover uma maior circulação de informação com atualizações regulares, por exemplo. Dessa forma, considerando apenas o ciberespaço, esse site torna-se muito mais atrativo à publicidade e a investimentos do que a página da empresa de tecnologias. Em adição, conforme acumula acesso, passa-se a exigir desse portal uma regularidade na qualidade e na quantidade de notícias. Essa relação é vista como um compromisso com os usuários, na medida em que uma alteração na forma de construção das notícias poderia resultar na queda de acessos e conseqüentemente na perda de poder.


4) Como a Internet influencia a economia hoje? Dê exemplos.

Quando propicia a circulação de informação em alta velocidade e atingindo um grande nível de usuários sem que se seja capaz de filtrar corretamente quais dados são verdadeiros e quais não são, a rede engloba todos os dados envolvidos numa mesma categoria, transformando informação “quente” em boataria e boatos em informação “quente”. É difícil distinguir o falso do real, então toda essa informação começa a ser interpretada a partir de um mesmo peso inicial.

Adotando o funcionamento da bolsa de valores como exemplo, as transferências acionárias se dão em grande fluxo e são de grande embasamento em especulações. O que acontece e o que deixa de acontecer dentro dessas empresas passa a ser fundamental para definir o destino das ações empresariais. Em virtude disso, a forte disseminação de boatos pela Internet passa a influenciar fortemente as especulações dentro da bolsa de valores, interferindo de maneira negativa e caótica dentro desse processo. Devido a um boato, por exemplo, as ações de uma empresa podem despencar em horas, tirando muito capital dessa companhia.

Por outro lado, dentro do ciberespaço constituem-se diversas redes sociais cujo funcionamento se dá a partir da troca e da circulação de informações. Interpretada como um meio democrático, os princípios difundidos através da rede pregam que a informação deve estar ao acesso de todos. Logo, essa característica tende a se extender para fora do virtual, interpretando formas mais “democráticas” para que se efetuem essas trocas. Uma dessas práticas é a pirataria, que se apropria da produção de outras pessoas de forma a revender esses dados sem que o autor receba qualquer capital. Quando tudo está disponível dentro da Internet, a procura por essas mercadorias cai, prejudicando fortemente os autores. Com isso muito dinheiro é perdido dentro das indústrias da música, do cinema e de muitos outros tipos de arte, além de softwares.