quarta-feira, 27 de agosto de 2008

1) Observe sua rede social no Twitter ou no Orkut.

a. Como as pessoas estão conectadas a você? É possível dizer que existem laços fortes no seu Twitter/Orkut?
No Twitter as pessoas estão conectadas a mim através de um sistema de “benefício” mútuo: eu as sigo, elas me seguem, ambos aumentamos nosso número de seguidores. O software tem como função primária a representação/manutenção dos laços fortes, uma vez que se caracteriza por ser um serviço que conecta amigos, família e colegas. Em princípio, o Twitter não permite a criação de laços fortes, pois não permite que duas pessoas que não estejam mutuamente conectadas se comuniquem diretamente. Contudo, a plataforma vem sendo muito utilizada como um simulador de laços fracos, onde o usuário associa-se à ID de um blog ou serviço visando a obtenção rápida de informações. Utilizo o termo simulador porque não há reciprocidade na troca de informações, formando uma ligação unilateral, que gera, no máximo, um laço associativo, mas que permite a rápida propagação de informações através da rede.

b. Você identifica algum conector? Explique.
Ignorando o fato de todas pessoas estarem conectadas por um sistema único, o próprio Twitter, constituindo assim um conector-mãe, a maioria dos indivíduos em minha lista estão cadastrados na rede por influência de uma única pessoa: a professora da disciplina, que acompanha a grande maioria dos alunos (ou é acompanhada por eles). Desconfio que isso seja uma ação estratégica do próprio Twitter, que paga a professora por número de alunos cadastrados.


c. É possível dizer que sua rede social no Twitter/Orkut é um mundo pequeno? Explique.
Sinceramente, não sei. Acredito que muitas pessoas vejam claramente o Orkut/Twitter como um pequeno mundo. Para mim, considerar esses espaços como mundos me levaria a considerar praticamente qualquer espaço de interacao pública da mesma forma. Levando em conta somente o potencial de propagação de informação das plataformas, elas poderiam ser vistas como mundos minúsculos — uma vez que a teoria dos seis (agora sete) graus de separação trata o mundo como pequeno. As redes sociais podem ser ferramentas de comunicação efetivas, formando grupos simplórios, com capital social em forma “embrionária”. Se podem ser considerados como mundos, esses mundos estão “ao contrário”. As pessoas utilizam esses espaços como uma forma de fuga: elas se escondem através de identidades fictícias e assumem valores e posições distintas, acreditanto veementemente nas suas personagens, somente para mergulharem de volta em um mundo maior que elas, de uma complexidade imensurável, chegando a entrar em conflito com suas personagens virtuais.

d. Você percebe algum valor social que seja construído no Twitter/Orkut?
Focarei o Orkut isoladamente. Acredito na existência de valores sociais limitados e simplórios, tal como convenções estabelecidas para o uso da rede (como o uso de testimonials para o envio de mensagens privadas (ao inves do próprio sistema de mensagens), que constitui um valor normativo. Um usuário pode aproximar-se do dono de uma comunidade com a intenção de tornar-se moderador da mesma, representando um valor relacional. Contudo, acredito que o Orkut somente represente os laços fortes, mas não seja uma ferramenta propícia para a criação deles. A Web é uma ferramenta que permite a deformação não só do espaço-tempo, mas também da própria identidade individual, por isso não acredito na formação real de grupos de relacionamento coesos dentro do espaço virtual, somente de falsos grupos de suporte.




O próprio software reconhece e adere à burrice ao costume dos usuários.


2) Encontre um exemplo de um site que possa ser considerado um conector na Web. Explique.
Num plano geral, qualquer site que ofereça um serviço e possua cadastro é um conector, como o Orkut, o Twitter, o Blogspot e outras centenas. Esses sites formam redes sociais centralizadas, onde todos os laços partem de um único ponto e se ramificam, criando então laços entre os nós. Entretanto, se considerarmos apenas websites como nós, um conector seria um portal que indexasse todos esses endereços. O fotolog.com, por exemplo, possui, em sua página principal, links para os fotologs de diversas pessoas. Outro exemplo seria um buscador, como o Google, o Yahoo! ou o Cuil, que fazem links para milhares de sites.

3) Sabendo que a chamada mídia social é baseada no poder de propagação da informação das redes sociais construídas na Web, discuta como esse tipo de mídia é aplicada na Internet para a publicidade ou o jornalismo.

Acredito que o termo “mídia social” seja redundante e restritivo. O termo desgina designa a ação midiática passada no ambiente cibernético. A própria expressão original (mídia, derivado do plural da expressão latina referente à medium) já remete à conexões, que implicam em um caráter social. Logo, acredito que o termo mídia pressuponha uma comunicação bilateral, diferente do conceito contemporâneo de um sistema “um para todos”.

Para o jornalismo, creio que esse tipo de ambiente proponha uma reformulação conceitual. A transição da mídia tradicional para a “social” demanda uma passada ainda maior do que a mudança do rádio para a televisão. Nestes aparelhos eletrônicos a comunicação sempre se estabeleceu na mesma linha de uma única via, em que Deus falava e os fiéis seguiam.

A interatividade atirada à cara dos comunicadores cria um problema: a informação deixa de ser inquestionável e absoluta. Os fiéis querem obter respostas de Deus — porque agora eles sabem que podem, a rede lhes permite essa interação. As pessoas não estão mais satisfeitas em ler e digerir, elas querem participar do processo da informação. Logo, o jornalismo nas mídias sociais exige mais do que uma reformulação e uma recontextualização. Ele exige um novo discurso, uma linguagem mais democrática e aberta, criando um cenário onde o jornalista deixa de ser Deus e os leitores deixam de ser fiéis.

Essa desestruturação hierárquica na rede aglomera a todos e os trata simplesmente como membros do clero, rebaixando o jornalista (talvez até por isso a questão da desregulamentação) e elevando o eleitor. O jornalismo vê sua postura ditadora ameaçada, pois agora qualquer pessoa que possua um blog pode transmitir informações na mesma velocidade. A comunicação midiática engatinha pela nova retórica; já não basta convencer o leitor, o escritor precisa estabelecer um acordo com o leitor para reconquistar sua credibilidade.

Ao meu ver, a explosão dos blogs se dá justamente pelo contexto das relações: um blogueiro é apenas um blogueiro, os seus leitores não o vêem religiosamente como um jornalista (ou alguém que tem a profissão de informar). Blogueiro é uma posição que qualquer pessoa pode atingir, embora não signifique que qualquer pessoa consiga o status de um blog famoso, o que passa despercebido pelas pessoas — existe uma brincadeira que circula por vários blogs que diz que a melhor forma de aumentar o número de visitas na sua página pessoal é criando um post “Como aumentar o número de visitas em seu blog”. Logo, a relação tem um caráter muito mais democrático. O próprio leitor entende que ele tem a liberdade de discordar de algo e de comunicar isso porque ele se vê no mesmo nível do blogueiro, que já se utiliza de uma linguagem diferente em seus textos.







Como é que é?

Mudando de foco, embora muitos publicitários amem o clichê de banners espalhados por diversos sites, esse tipo de mídia permite uma forma muito mais inteligente de publicidade e propaganda. A mídia social cumpre com sua proposta: interação. Como essa área trabalha diretamente com a semiótica (construção e associação imagética), a interatividade é chave para a construção de novas marcas, possivelmente criando um novo segmento de marketing, diferente do institucional, em que a marca passa uma imagem socialmente responsável, perdendo parte do aspecto de sanguessuga monetária popular e dando um retorno social para a sociedade (:P). Essas novas mídias permitem uma relação entre empresa e consumidor diferente do tradicional esquema “Comunicação publicitária → Feedback do público em forma de consumo”.

Novas campanhas publicitárias vêm surgindo utilizando esse conceito. Um exemplo é o case do filme The Dark Knight (Batman – O Cavaleiro das Trevas no Brasil), onde os usuários podiam acessar diversos tipos de material sobre a obra através de diversas ações: executando determinadas tarefas propostas pelo Coringa, como enviar uma quantidade específica de fotos com a maquiagem do arquirrival do homem morcego para um endereço, a fim de ganhar alguma recompensa; decifrar o código de um cofre através de pistas espalhadas por diversos hotsites e outros tipos de divulgação, inclusive um teaser do novo filme fazendo analogia à primeira obra que trazia o Coringa, interpretado pelo ator Jack Nicholson, às telonas.









eh nois nu fiume do Batima!!11
Viral do filme The Dark Knight


Essas ações trabalham com o emocional dos consumidores, que passam a entender que são parte fundamental na construção e desenvolvimento de determinada marca. Em uma analogia simplória, as empresas permitem que seus clientes vistam a camisa e se sintam como parte integrante da organização, passando por diversos estágios, que vão desde o estabelecimento da comunicação da companhia com o público até a etapa de produção. Um exemplo desta é a nova campanha da Nike para divulgar o NikeiD, permitindo aos internautas criarem chuteiras para serem utilizadas por jogadores dos times Arsenal e Manchester United durante o confronto entre ambos no campeonato de futebol britânico. Portanto, da mesma forma que o jornalismo, a publicidade faz uso de um discurso mais aberto, fazendo com que um indivíduo não se sinta mais como um cliente em potencial, a ser conquistado pela empresa, mas passe a se preocupar com a imagem dela e da comunicação que tem com essa organização. ... Ufa!